O problema fundamental humano consiste no seguinte: quando você nasce, ganha um corpo de graça. Você não faz nada para merecer esse corpo, ele simplesmente é seu. Mas você não ganha uma casa de graça, você tem que fazer algo para merecer uma casa. Mas o que é meritório? O que é esse algo que deve ser feito para se merecer a casa? Não é você quem decide, esse é o problema. Então, se você se apaixona, por exemplo, por surfe, e adora surfar, vem alguém e te diz que você tem que fazer uma outra coisa, que não surfar, para merecer uma casa. Se você adora jogar xadrez, cozinhar, escalar montanha, soltar pipa, escrever poesia, vem alguém e te diz te diz que você tem que fazer alguma outra coisa para merecer uma casa, porque aquela coisa que você faz não é meritória, não dá direito a uma casa. Esse é o problema fundamental humano. Só seria possível corrigir isso se as casas fossem como árvores ou como corpos. Quando você nascesse alguém plantaria uma casa e ela se desenvolveria sozinha. Quando você tivesse dezoito anos, ela estaria pronta para você morar. Assim você poderia se dedicar a ações que não dão direito a uma casa, sem se preocupar com isso. No futuro talvez possamos morar em árvores geneticamente modificadas que sirvam como moradias. Por enquanto temos que deixar de escalar montanhas, jogar xadrez, cozinhar, escrever poesia, para nos tornar professores, carpinteiros, programadores, engenheiros e técnicos de informática. Alguém já decidiu, de antemão, quais são as ações que merecem e quais não merecem uma casa.
domingo, 16 de dezembro de 2012
O problema fundamental humano
O problema fundamental humano consiste no seguinte: quando você nasce, ganha um corpo de graça. Você não faz nada para merecer esse corpo, ele simplesmente é seu. Mas você não ganha uma casa de graça, você tem que fazer algo para merecer uma casa. Mas o que é meritório? O que é esse algo que deve ser feito para se merecer a casa? Não é você quem decide, esse é o problema. Então, se você se apaixona, por exemplo, por surfe, e adora surfar, vem alguém e te diz que você tem que fazer uma outra coisa, que não surfar, para merecer uma casa. Se você adora jogar xadrez, cozinhar, escalar montanha, soltar pipa, escrever poesia, vem alguém e te diz te diz que você tem que fazer alguma outra coisa para merecer uma casa, porque aquela coisa que você faz não é meritória, não dá direito a uma casa. Esse é o problema fundamental humano. Só seria possível corrigir isso se as casas fossem como árvores ou como corpos. Quando você nascesse alguém plantaria uma casa e ela se desenvolveria sozinha. Quando você tivesse dezoito anos, ela estaria pronta para você morar. Assim você poderia se dedicar a ações que não dão direito a uma casa, sem se preocupar com isso. No futuro talvez possamos morar em árvores geneticamente modificadas que sirvam como moradias. Por enquanto temos que deixar de escalar montanhas, jogar xadrez, cozinhar, escrever poesia, para nos tornar professores, carpinteiros, programadores, engenheiros e técnicos de informática. Alguém já decidiu, de antemão, quais são as ações que merecem e quais não merecem uma casa.
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